Terça-feira, Janeiro 08, 2008
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Segunda-feira, Maio 14, 2007
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Sexta-feira, Dezembro 08, 2006
NÃO FAZ POR BEM, FAZ POR MAL
A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ellen Gracie, e o vice-presidente, Gilmar Mendes, foram assaltados ontem à noite qdo chegavam no Rio de Janeiro após desembarque na Base Aérea do Galeão. A comitiva de ambos foi parada por bandidos na Linha Vermelha, um dos carros do grupo foi levado e ambos tiveram malas e pertences roubados. Os bandidos foram embora e Ellen e Gilmar, juntos com seus seguranças, deixados na rua.
Obviamente ninguém deve comemorar a criminalidade. Mas não posso esconder umas microfrações de contentamento em ver a fina-flor da sociedade e do Poder Público sentir na pele de forma tão acachapante o que sua inércia vem construindo ao longo do tempo: o alargamento do abismo social no Brasil e um de seus resultados, a violência.
Não, eu não sou mau. Eu explico. A nobreza na França historicamente foi indiferente às mazelas da plebe que, de tão numérica, fazia dos centros urbanos franceses os maiores da Europa. Em função dessa especial concentração de gente em épocas de fácil proliferação de doenças, as pestes começaram a se alastrar progressivamente por todo o país. A água dos rios, de tão contaminadas, levou o francês a evitar banhos e a desenvolver as compensações que se perpetuam hoje nas lojas de perfumes da Champs Elysées.
O que isso tem a ver com a elite brasileira, representada pela presidência do STF e seus megasalários reajustados toda hora? Ora, foi somente quando a elite francesa se viu atingida pela insalubridade que fingia desconhecer que ela tomou medidas para reverter o quadro. Como a água do champagne já não era a mesma, em fins do século XVIII os higienistas tiveram suporte para promover mudanças urbanísticas como a transferência de cemitérios e de túmulos que transbordavam das igrejas, entre outras medidas.
É aquela história, o combate à Aids recebe tubos de investimento e o da fome não. É que rico não sente fome.
Voltando ao Brasil, a água da 'gente bonita' azedou. Se os poderosos não corrigem nossas mazelas por bem, é provável que as corrijam por mal. Hoje, eles sentem o abuso da bandidagem apontado sobre a própria testa.
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10:42 AM
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Sexta-feira, Novembro 17, 2006
Nada mais verdadeiro que a afirmação de que uma boa parte das mazelas do mundo é resultante do rolo-compressor silencioso e cínico de certos países ricos sobre os países pobres. Mas é verdade também que não podemos desconsiderar casos em que os próprios governantes dão o tiro de misericórdia em seu povão. Eles também não são poucos.
Em Malibu, Califórnia, praia de famosos americanos, uma casa de 35 milhões de dólares acaba de ser comprada por um sujeito chamado Teodoro Nguema Obiang. O indivíduo é ministro da Agricultura da Guiné Equatorial, país africano com menos de um milhão de habitantes mas que não pode reclamar da falta de Petróleo. O país é algo como um Bahrein noir, e Teodorinho, filho do presidente, não se contenta com os US$ 1500,00 que ganha como ministro. Então, que se dane seu país de brinquedo, 120º no ranking do IDH (2006). Lá, a maior parte da população vive com 1 dólar por dia.
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Isso me lembrou algo que acontece bem mais perto...
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11:06 AM
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Terça-feira, Outubro 17, 2006
O TRIPÉ E O BRAÇO
Só mesmo o desespero do PFL/PSDB e de parte da mídia pra me fazer mover o que tá parado há tanto tempo...
Ontem, em entrevista ao JN, a imagem do Bornhausen nordestino Tasso Jereissati acusando a Polícia Federal de demora na investigação do dossiê é captada em câmera devidamente parada, em tripé. Na suite da mesma matéria, entra Marcio Tomaz Bastos captado em câmera tremida enquanto defende o ritmo natural das investigações. Embora Bastos estivesse só e sentado à mesa - provavelmente de seu gabinete -, o cinegrafista fez a imagem com o braço, algo que, nesse caso, não é normal. Resultado: imagem tremida atribuindo, ao que se via, tensão e falta de qualidade.
Claro que a tensão e falta de qualidade não eram do cinegrafista da Globo. Fosse assim, ele estaria demitido...
A essa altura do campeonato, será que até imagem tremida é recurso pro Picolé de Chuchu tentar mais votos? Embora a Globo tente se fazer de isenta, parece que o santo de 89 baixou definitivamente por lá...
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Nesse contexto de desespero, onde a então recente morte de 155 pessoas em um Boeing na Amazônia cedeu espaço nobre do JN para fotos do dossiê - calculadamente liberadas pelo delegado tucano do MT a tempo de sair na Globo, à noite -, me pergunto como nenhum tucanopefelista acusou a demora da investigação do acidente, da localização e do resgate dos corpos na Fazenda Jarinã como armação do PT. Ora, defender que a floresta não era tão fechada assim teria mais credibilidade do que as denúncias da Veja baseadas nas suas famosas fontes 'morreu-há-um-mês' e 'não-digo-quem-me-disse'. Bom, foi tudo muito claro: quanto mais tempo de destroços na tela, mais se desviava o foco das atenções. Puxa, como o PT foi esperto!
Nada contra quem vota no Alckmin, somos livres pra escolher, afinal. O problema, pra mim, é a falta de equilíbrio nessa hora.
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Na Ilha Grande, nesse feriadão, eu e amigas francesa e belga assistíamos TV quando vimos no jornal o assalto aos turistas chineses que chegavam no Rio, vindos do Galeão. Ao mesmo tempo em que as gringas finalmente entenderam meus alertas pré-viagem, o post abaixo, de maio, manteve-se mais atual do que nunca. Com ele aí, eu nem precisava atualizar o blog.
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1:03 PM
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Quinta-feira, Maio 04, 2006
TAXI BANDIDO
Em fevereiro, quando eu desembarcava em um movimentadíssimo Galeão para o show dos Rolling Stones em Copacabana, me deparei com uma das cenas mais desagradáveis que já vi. Um fato até anunciou o que estaria pra acontecer. Ao sair para a pista do desembarque, abri mão do frescão que custaria a sair e recorri a um taxi que passava por lá depois de desistir da enorme fila de pessoas e malas que se juntava a outra tumultuada fila de taxis. O cara parou, eu entrei, falei 'Laranjeiras' e percebi que o motorista tinha o taximetro desligado. Perguntado sobre isso, e sem sequer responder meu 'boa noite', o taxista disse com a classe típica de um presidiário: 'Aê, até Laranjeiras vou fazer 40 real!'. Foi tudo muito rápido. Antes mesmo de o cara completar o arco da pista de desembarque, mandei ele parar e desci. Bati a porta forte o suficiente pro cara resmungar algo que não entendi e toquei pro frescão que, àquela altura, já não custaria tanto a sair.
Foi aí que o grotesco aconteceu. Enquanto caminhava, do nada uma porrada no mais alto estilo 'briga de rua' cortou o espaço à minha frente vinda dos carros parados no desembarque. Levei um susto, recuei e aproveitei os cerca de dois minutos de cena pra entender o contexto. Um dos caras era um garotão, meio almofadinha, que brigava (e apanhava) o tempo todo amparado pelo pai, um senhor baixo e de cabelos brancos que tentava afastá-lo, gritando pra ele se acalmar e parar. O outro cara - acredite - era um taxista. Descobri isso ao término da briga, quando o marginal retornou ao seu carro amarelo e de faixa azul com um patético sorriso cínico. Ao perceber que a briga se originara em uma nova tentativa de 'extorsão' - a mesma q acontecera comigo minutos antes, no outro carro -, e pensando que talvez fosse útil uma testemunha, ofereci meu telefone para eles quando os dois partiam para o posto policial do aeroporto. Depois, já embarcado no frescão, fiquei triste por não ter ajudado o senhor - o instinto anti-bala-em-quem-não-tem-nada-a-ver-com-a-história não deixou - e lamentei a impunidade de taxistas bandidos que circulam livremente pelo segundo mais importante aeroporto do País. Cena ocorrida em plena alta estação, a uma semana do carnaval, a pouco metros de muitos, muitos turistas brasileiros e gringos.
Dentro do frescão, minha sensação de insegurança não diminuiu. A cena grotesca aconteceu cerca de um mês depois do assalto a um ônibus de turistas ingleses, idealizado no próprio Galeão.
Eu não lembrava desse episódio até ler essa história, agora à tarde. E é aí que eu me pergunto: se Vinicius escreveu pra Tom o que segue abaixo, na longínqua década de 70, o que o poeta escreveria hoje?
(...) lembra que tempo feliz, ah que saudade
Ipanema era so felicidade
era como se o amor doesse em paz
Nossa famosa garota nem sabia
a que ponto a cidade turvaria
esse Rio de amor que se perdeu
Mesmo a tristeza da gente era mais bela
e alem disso se via da janela
um cantinho de ceu e o Redentor
e meu amigo so resta uma certeza
é preciso acabar com essa tristeza
é preciso inventar de novo o amor...
(Carta ao Tom 74)
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6:21 PM
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Sexta-feira, Abril 28, 2006
SORRY, NEOCONS
Agência Estado, 28 de abril de 2006 - 06:44
Versão em espanhol do hino americano estréia nesta sexta
Canção, gravada por várias estrelas latinas, está deixando os conservadores furiosos
EFE
WASHINGTON - A primeira versão em espanhol do hino dos Estados Unidos, que já suscitou grande polêmica, estréia nesta sexta-feira em meio ao debate sobre a política migratória, e dias antes das manifestações em defesa dos direitos dos imigrantes marcadas para 1º de maio. A canção, gravada por várias estrelas latinas, chamada "Nuestro Himno" (Nosso Hino), já foi entregue às emissoras, com pedido para ser transmitida a partir das 19 horas, na costa leste (20 horas de Brasília), desta sexta-feira, segundo a imprensa americana.
Sob o título "As notas discordantes de um hino", o jornal The Washington Post destacou que a iniciativa irritou muitos conservadores, que reivindicam o uso exclusivo do inglês nos Estados Unidos. Entre os músicos que colaboraram na gravação de "Nuestro Himno" estão Gloria Trevi, Carlos Ponce, Tito "El Bambino", Olga Tañón, "Pitbull" (Armando Pérez), e o Prêmio Grammy haitiano Wyclef Jean, que desta vez canta em espanhol. Cada um canta uma estrofe da música, que será incluída no disco dedicado aos imigrantes "Somos Americanos". Os lucros originado pela venda do disco e de sua versão em mp3 serão destinados a organizações de defesa dos imigrantes.
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9:11 AM
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Quarta-feira, Março 29, 2006
CHINA MAIS PERTO
Meu plano de passar um tempo na China em 2007 ganhou mais um aliado. Joaquim Roriz, o coronel do cerrado, se ofereceu como candidato a vice de Alckmin. Sinistro. Sinistro pq, se cogitarmos a hipótese daquele q nada mais era q o vice de Covas (alguém aí conhece o nome do vice do Alckmin?) se tornar presidente da República, Roriz será o vice. Isso por si só seria constrangedor e atrasado. E se cogitarmos a hipótese do Alckmin sofrer impeachment, renunciar ou morrer, Roriz seria o presidente da República. Aí, seria a involução política em sua mais grave manifestação. Mas, para piorar ainda mais - tudo só poderia piorar -, se o retrógrado coronel Roriz virar presidente da República, os ministérios e alto escalão estarão repletos de Odilon Aires, Tartuce, José Edmar, Benicio Tavares, Eurides Brito, Pedro Passos, Adão Xavier e indivíduos do tipo, todos com mais ou menos passagens pela polícia e, não por coincidência, filhotes do rorizismo.
E se eles assumirem tais postos, vade retrum coisa ruim!!!
É, ir pra China não tem nada de tão absurdo. Especialmente por ser bem longe.
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12:17 AM
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Segunda-feira, Março 20, 2006
O FUNK E A BOSSA
Rodrigo Pinto, do Globo Online, encerra assim matéria de sua autoria sobre apresentação do funk carioca no festival SónarSound, em Buenos Aires:
Faltaram as adesões mais entusiasmadas das meninas portenhas, que ainda não lecionaram na escola das popozudas cariocas. Mas o tempo vai se encarregar de espalhar pela Argentina o que já ocorre em meio mundo, numa adesão a uma linguagem musical brasileira jamais vista depois da explosão internacional da bossa nova, nos anos 60.
1) Lamento pelo aparente tom otimista do repórter e pelos irmãos argentinos; 2) o tempo não terá tarefa fácil por lá como se supõe: os argentinos e gatas flora (si se la ponen, gritan, si se la quitan, lloran) são mais conservadores e deverão ter dificuldades para se adaptar à escola (!) e doces rimas de Tati Quebra Barraco e Cia (sorte delas); 3) independentemente disso, e pelo bem do Mercosul, o tempo tem que ser preso antes; 4) 'meio mundo', pra mim, é algo imensuravelmente maior do que o concebido pelo repórter; 5) linguagem brasileira jamais vista depois da Bossa Nova é frase feita, repetitiva - lê-se a mesma coisa aos tubos, por aí - e glamourização do que pode se limitar a mera onda da batida funk misturada com eletrônica, via DJ Marlboro e Diplo, e não de sua essência, como ocorreu com a Bossa. Sim, pq se o gringo entende a letra, tá fora. Fica aí a pergunta: será que os dois globalizadores traduzem o espírito das mensagens dos morros, como fez Manhattan Transfer com as de Djavan? A revista americana Blender fez isso, mostrou a verdade e batizou os bailes funkeiros de "cena underground mais excitante e perigosa do mundo"; 6) Por fim, depois da Bossa, e sem julgar méritos, qual o lugar da Tropicália apreciada via Mutantes por Björk, Kurt Cobain, Beck, David Byrne e tantos outros; da música baiana nas rádios e TV da França; da batida do Olodum, invasor da World Music com Paul Simon e de novo David Byrne; e do breganejo hispânico exportado para a América Latina?
Sem questionar o direito do atual funk carioca existir e de sua legião de fãs o consumirem (há letras menos vazias, claro), mas a favor da correta hierarquização da produção musical - com o funk atrás de um monte de coisa -, segue, abaixo, minha homenagem às críticas fast-food que teimam em festejar, com inocência que assusta, os interesses de uma mídia descompromissada com qualquer valor, senão o dinheiro:
Vou te jogar na cama e te dar muita pressão!
Eu vou passar cerol na mão, vou sim, vou sim!
Eu vou te cortar na mão! Vou sim, vou sim!
Vou aparar pela rabiola! Vou sim, vou sim!
("Bonde do Tigrão", Furacão 2000)
Sai, sai pra lá
Sai, sai, sai pra lá
Sai, sai pra lá
O meu marido não hein!
Se mexer com o meu marido
Tu vai ver o que é bom
Vai ficar toda amassada igual um papel crepon
("O Meu Marido Não", MC Marcinho)
Abre as pernas, faz beicinho, vou morder o seu grelinho...
Vai Serginho, vai Serginho...
Vem minina num si ispanta, vô gozá na tua garganta...
("Vai Serginho", MC Serginho)
Eu vou tocar uma siririca eu vou gozar na tua cara
Vai babaca
Vai babaca
Eu vou dar minha buceta bem divagarinho
mas o que eu quero mesmo é piroca no cuzinho
("Siririca", Tati Quebra Barraco)
É, caros críticos, pode ser que eu esteja errado. Afinal, se o marido da Britney Spears se amarrou, é pq o negócio deve ser bom mesmo!
Publicado por BARRET |
4:46 PM
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Quinta-feira, Março 16, 2006
OBRIGADO, SENHOR!
Atendendo à solicitação do consultor-mor do Anhumas, Ricardo, segue aqui a reedição de algo mais leve para despressurizar o ambiente. Leve, mas sério. Ninete, a sobrinha mais linda de todas as sobrinhas do mundo, me levou a um dos mundos mais sinistros que existem: o vício da gamemania. A cãzinha dela, a Pipoca, foi junto.
Mas, quando tudo parecia perdido e a angústia corroía meu cérebro, aprisionado nas diabólicas luzinhas móveis, eis que uma força assimétrica me tirou de frente da TV: O Senhor! Sim!!! Graças a Ele, livrei-me dos grudentos tentáculos do joystick! Graças a Ele, hoje sou um novo homem!!
Senhor ADSL, obrigado!!! E game over.
Publicado por BARRET |
1:24 PM
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